NR-10: A Modernização da Segurança em Eletricidade – O Que Muda em 2026 e Como se Preparar
Como profissional com mais de 13 anos de experiência em Segurança e Saúde no Trabalho (SST), vejo a NR-10 como uma das normas mais críticas do setor elétrico. Ela não trata apenas de procedimentos básicos, mas da proteção contra riscos invisíveis e potencialmente letais. A aprovação da nova NR-10 em 2025 marca uma virada técnica significativa, com implementação progressiva que terá impacto pleno em 2026. Vamos mergulhar no que muda e como isso afetará empresas e profissionais.
O Contexto da Modernização
A NR-10 (Segurança em Instalações e Serviços com Eletricidade) sempre foi fundamental, mas a versão anterior focava mais em regras operacionais. A nova redação, aprovada pela Comissão Tripartite Paritária Permanente (CTPP), incorpora avanços tecnológicos e uma visão integrada de riscos, alinhando-se ao PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos) da NR-01.
🟡 Os Principais Avanços Técnicos da Nova NR-10
1. Cálculo de Energia Incidente: Engenharia Aplicada à Segurança
A mudança mais técnica é a exigência de cálculo do nível de energia incidente para definir distâncias seguras e vestimentas de proteção contra arcos elétricos. Isso segue parâmetros da NBR 17227/2025 e normas internacionais como a NFPA 70E.
- Distâncias Seguras: Não mais baseadas em “bom senso”, mas em cálculos precisos de energia liberada em arcos elétricos.
- Vestimentas ATPV: Seleção de roupas de proteção com base no valor de Arc Thermal Performance Value (ATPV), considerando a energia incidente específica da instalação.
- Projetos Mais Seguros: Engenheiros devem calcular riscos desde a fase de projeto, evitando surpresas operacionais.
2. Integração com o PGR: Riscos Elétricos no Sistema Global
Os riscos elétricos deixam de ser um “anexo” e passam a ser parte integrante do PGR da empresa. Isso significa que choques, arcos elétricos e outros perigos elétricos são tratados com a mesma metodologia de probabilidade e severidade dos riscos químicos ou ergonômicos.
- Inventário Unificado: Riscos elétricos são mapeados junto com outros, facilitando priorização e alocação de recursos.
- Controles Coordenados: Medidas de proteção coletiva (barreiras, enclausuramento) são priorizadas sobre EPIs, com monitoramento contínuo.
- Revisão Integrada: Mudanças no sistema elétrico impactam o PGR como um todo, exigindo atualizações documentadas.
3. Atividades em Proximidade: Regras Mais Objetivas para Redes Compartilhadas
A norma estabelece requisitos claros para trabalhos próximos a redes energizadas, especialmente em estruturas compartilhadas (como postes com linhas de energia, telefonia e TV a cabo).
- Procedimentos Objetivos: Eliminação de subjetividades, com protocolos baseados em riscos reais (tensão, corrente, proximidade).
- Operadoras de Telecom: Empresas de internet e telefonia devem seguir padrões similares aos de concessionárias elétricas.
- Redução de Acidentes: Trabalhos em altura ou próximos a linhas vivas têm regras mais rigorosas, diminuindo choques por indução ou contato acidental.
🔵 Minha Análise Profissional: De Procedimentos a Engenharia de Riscos
Como especialista em SST com foco em eletricidade, vejo essa modernização como uma evolução necessária. A NR-10 deixa de ser apenas sobre “seguir passos” e passa a ser uma norma de engenharia de riscos, exigindo conhecimento técnico avançado. Empresas precisarão investir em:
- Capacitação Técnica: Cursos em cálculo de energia incidente e integração com PGR.
- Equipamentos Avançados: Medidores digitais, softwares de simulação e vestimentas certificadas ATPV.
- Profissionais Qualificados: Engenheiros e eletricistas com formação específica em gestão de riscos elétricos.
🟣 Benefícios e Desafios da Nova NR-10
Benefícios:
- Segurança Real: Cálculos precisos salvam vidas, reduzindo arcos elétricos (causa de 80% dos acidentes elétricos graves).
- Eficiência Operacional: Integração com PGR otimiza recursos e processos.
- Conformidade Global: Alinhamento com padrões internacionais facilita exportações e certificações.
- Investimento Inicial: Cursos e equipamentos custam, mas o ROI vem da redução de acidentes.
- Capacitação Técnica: Muitos profissionais precisarão de atualização.
- Transição Progressiva: Empresas devem planejar a adequação até 2026.
Prepare-se Agora para uma Eletricidade Mais Segura
A nova NR-10 transforma a segurança elétrica em uma disciplina técnica e integrada. Não é mais sobre cumprir checklists, mas sobre projetar e operar sistemas com riscos calculados e controlados. Empresas que se anteciparem terão vantagem competitiva e, mais importante, ambientes de trabalho verdadeiramente seguros.
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